Esperança e Misericórdia: os Direitos Humanos como Caminho para a Justiça e a Paz

conversas-de-justica-e-paz_conviteEsse será o tema da última Conversa de Justiça e Paz de 2016, promovida pela Comissão Justiça e Paz de Brasília, que vai acontecer no seu espaço habitual – Auditório Dom José Freire Falcão (Anexo da Catedral), dia 5/12, das 19.00 às 21.00 horas. Serão expositores o Professor José Geraldo de Sousa Junior, ex-Reitor da UnB e membro da CJP/DF e Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo-Auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB. Estará presente o Cardeal Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB.

O tema é o mais oportuno. No último dia 20 de novembro, no encerramento do ano extraordinário da misericórdia, o Papa Francisco proferiu homilia lembrando que a Porta Santa, aberta durante o jubileu, representou também passagem ao “dom da memória aberta e viva” do ensinamento de Cristo, qual “portas da reconciliação e do perdão que, ultrapassando o mal e as divergências, abre todas as vias possíveis de esperança”.

Não é extravagante pois, associar o tema da Misericórdia à construção da Justiça e da Paz, pela mediação dos Direitos Humanos, como caminho histórico e político de realização da dignidade humana.

Esse percurso, que envolve construir caminhos, abrindo caminhos, árdua e sofridamente, foi mais uma vez indicado pelo Papa Francisco, em seu encontro recente com os Movimentos Sociais (Roma, 5/11/16).  Jesus, disse ele, “curou a mão atrofiada de um homem. A mão, este sinal tão forte do trabalhar, do trabalho. Jesus restituiu àquele homem a capacidade de trabalhar e com isso lhe restituiu a dignidade. Quantas mãos atrofiadas, quantas pessoas privadas da dignidade do trabalho! Porque os hipócritas, para defender sistemas injustos, se opõe a que sejam curados. Às vezes penso que quando vocês, os pobres organizados, inventam os vossos trabalhos, criando uma cooperativa, recuperando uma fábrica falida, reciclando os descartes da sociedade de consumo, enfrentando a inclemência do tempo para vender em uma praça, reivindicando um pedaço de terra para cultivar para alimentar quem tem fome, quando vocês fazem isto estão imitando Jesus, porque buscam curar, mesmo que somente um pouquinho, mesmo se precariamente, esta atrofia do sistema socioeconômico reinante que é o desemprego. Não me surpreende que também vocês às vezes sejam vigiados ou perseguidos, nem me surpreende que aos soberbos não interessa aquilo que vocês dizem”.

A afirmação da Justiça e da Paz portanto, é tarefa, não é dom. É obra da Misericórdia enquanto realização desse processo contínuo de realização da dignidade. Ainda em seu discurso aos Movimentos Sociais, o Papa Francisco recordou a sua designação dos 3 – T (terra, trabalho e teto), para confirmar o alcance desse projeto de emancipação da dignidade que dá conteúdo aos direitos humanos: “As 3 – T, o vosso grito que faço meu, tem algo daquela inteligência humilde mas ao mesmo tempo forte e curador. Um projeto-ponte dos povos diante do projeto-muro do dinheiro. Um projeto que visa o desenvolvimento humano integral. ... o desenvolvimento do ser humano na sua integralidade, o desenvolvimento que não se reduz ao consumo, que não se reduz ao bem-estar de poucos, que inclui todos os povos e as pessoas na plenitude da sua dignidade, usufruindo fraternalmente a maravilha da criação. Este é o desenvolvimento do qual temos necessidade: humano, integral, respeitoso pela criação, desta casa comum”.

Mostrando que há relação entre Justiça e Misericórdia (Misericordiae Vultus, 20), o Papa Francisco, recorda o seu primado (“Misericórdia eu quero, não sacrifícios”), para convocar a uma justiça que não seja apenas formal, meramente legalista, que facilmente se detenha ante os obstáculos que afastem a “atenção às necessidades que afetam a dignidade das pessoas”,  mas que, ao contrario, em percurso de superação, seja condição “libertadora e fonte de renovação”(MV, 20). Em suma, Esperança e Misericórdia, enlace a partir do qual, os direitos humanos se constituem como caminho para a Justiça e a Paz.

Por Comissão Justiça e Paz