CJP divulga nota sobre intolerância religiosa e violência contra templos – 02/12

A Comissão Justiça e Paz de Brasília, no âmbito de suas atribuições, divulga nota sobre a intolerância religiosa e a violência contra os templos das religiões de matriz afro em Brasília:

COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ DA ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA (CJP-DF)

Nota sobre a intolerância religiosa e sobre a violência contra templos das religiões de matriz africana na área metropolitana de Brasília

“Deus é amor” (1 João 4,8).

O ano de 2015 já tem uma marca: o grande número de ataques e manifestações de intolerância religiosa aos templos das religiões de matriz africana na área metropolitana de Brasília. São mais de uma dezena de casos que, além da violência, demonstram o desrespeito religioso e a ausência de políticas públicas por parte do Estado para garantir a liberdade religiosa em sua mais completa extensão.

A mais recente tragédia ocorreu na madrugada do dia 27 de novembro de 2015, sexta-feira, no terreiro de candomblé Axé Oyá Bagan, conhecido como Casa da Mãe Baiana que fica em uma chácara no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, entre o Paranoá e o Lago Norte.

Não são apenas estes templos e destas religiões que estão ameaçados pelo “fascismo social”, na feliz expressão de Boaventura de Sousa Santos, que acomete a sociedade brasileira nos últimos tempos. Outras tradições religiosas são submetidas diariamente a diversos tipos de ataques resultado de um proselitismo fundamentalista que transforma discurso em ódio e pregação em arma. No caso das religiões de origem afro-brasileira, as agressões derivam também de um racismo que insiste em se perpetuar no delicado tecido social brasileiro.

O  Papa Francisco, quando de sua passagem no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013, após a Via Sacra, afirmou que os preconceitos racial e religioso são "cruzes" que o mundo atual carrega e que acabam suscitando questionamentos entre os católicos acerca da fé na Igreja e em Jesus Cristo. A ação mais lastimável que pode existir entre os homens é a “rivalidade em nome de Deus”, pois Deus é Pai de todos, e o seu Reino é um reino de paz, amor, justiça, verdade, liberdade e santidade, tudo que revela “não violência”, ainda nas palavras do Santo Padre.

Convidamos a todos os que tem o amor como base de sua experiência religiosa a lutar contra a violência, a intolerância e o racismo. Colocamos nossa assessoria jurídica a serviço. Pedimos as autoridades mais cuidado e atenção com os mais humildes e necessitados. E clamamos humildemente para que não se faça violência em nome de Deus, pois o mundo precisa de justiça e paz!

Comissão Justiça e Paz de Brasília