Entrevistas

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José Geraldo de Sousa Junior é professor da Faculdade de Direito e coordenador do projeto “Direito Achado na Rua” na Universidade de Brasília, onde também foi Reitor (2008-2012).

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=&0=& É difícil organizar uma rotina para quem combina a dupla condição de intelectual e de militante. O engajamento com os chamados do social e da política acabam por se fazerem intempestivos, urgentes, prioritários e desorganizam qualquer rotina. Em tempos críticos os apelos da ação política são a rotina. Ao tempo da ditadura, até pelos menos 1985, quando integrava a Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF e a Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Arquidiocese), não havia dia ou madrugada sem um pedido de socorro, uma mobilização para prevenir, defender ou garantir direitos em geral, pondo em risco a liberdade, a integridade ou a vida. Hoje, com mais liberdade e mais democracia, embora sempre exigindo cuidados e atenção, essa condição crítica é atenuada, até porque mais compartilhada, está menos arriscada, mas não menos trabalhosa, porque o exercício político ficou universalizado e cotidiano, mas não reduziu o envolvimento com a assessoria – na universidade e nas organizações – para apoiar as causas dos movimentos sociais, criando direitos achados na rua ou resistindo às pretensões criminalizadoras contra a ação protagonista que intenta realizá-los. Essa é a rotina e a disposição intelectual (orgânica) se inscreve nessa dinâmica e se organiza em esforço interpretativo do mundo e da realidade, no processo mesmo de agir para a mudança do mundo em direção a mais liberdade, mais democracia e mais justiça. Então, refletir, fazer anotações, enunciar pontos de vista, anotar recortes do real em movimento, registrar direções para a circuição pensamento e ação, passa a ser um exercício que alinhava a vida em movimento. Leio e anoto sugestões, em peças de enunciação de direitos, em salas de espera de audiências, em trechos e em escalas de vôos entre bancas acadêmicas, auditórios, mesas-redondas, entrevistas, toda uma agenda que se presta a combinar essas duas disposições. Aprendi a entrelaçar essas duas disposições e carrego sempre meu “caderno de anotações” e, sobretudo, uma “diretriz cerebral” para ativar a “caixa de pensamento” de modo que ela instale e classifique aqueles registros que possam ser recuperados por insights (lampejos) e sinapses futuras. Claro que o cuidado sutil de não enredamento a que nos adverte a anedótica situação vivida (não sei se verdade ou invenção, mas outros já a registraram), entre Einstein e Austregésilo de Athayde. Conta-se que o centenário presidente da Academia de Letras, ciceroneando o patrono da Teoria da Relatividade em sua visita ao Brasil em 1925, continuamente anotava em um caderninho fragmentos da conversação. Curioso, o grande físico perguntou-lhe: “o que tanto anota?”. “Boas ideias que a conversa suscita”. “Isso ocorre também com você”, indagou. “Não”, respondeu Einstein, “até hoje só tive uma boa ideia!”. =&1=& Em geral, eu aproveito o dia. A escrita é o diário desse cotidiano. Se tenho um tema (preparar uma aula, escrever um artigo), uma exigência (fazer uma palestra, animar uma roda de conversa), continuar a redação de um livro ou responder a uma entrevista, deixo que o objetivo me incorpore e abro a razão e a sensibilidade para me deixar compenetrar, acolhendo as múltiplas possibilidades que me propõe. Percorro o dia, e tudo que se me oferece no seu transcurso me sinaliza para esse objetivo. Respiro o tema, abro a mente, especialmente se caminho e, melhor ainda se caminho num parque (como no Parque Olhos d’Água, próximo à minha casa). Eis que em um instante apreendo totalmente o tema, suas articulações, seu alcance. Então, sento-me e escrevo nos limites e nas condições de captura dos aspectos que cabem na escrita. Em seguida, refino, completo o achado, no recorte que serve a sua expressão no momento (mais imediato ou mais extenso). =&2=& Dadas as condições de existência – intelectual e política – todos os dias, com momentos de concentração. Depende do chamado. Como agora, em plena manhã de domingo, escrevendo respostas para esta entrevista. Vou interromper para almoçar com a família, mas o tema completo da entrevista – que ficou alguns dias adormecida nos meandros cerebrais-sensitivos da minha racionalidade – sinto, já se entranhou em mim. Quando retome logo mais, só basta deixá-lo fluir. Pode ser que termine hoje, ou não. Há uma meta, mas não conforme a um “manual de uso”, apenas a certeza de que vou aproveitar o dia (carpe diem), e de que não há mais como interromper o processo da escrita, “o nosso feito do dia”, como diz Shakespeare no Henrique V. =&3=&

Para José Geraldo de Sousa Junior, direitos são resultado de lutas sociais pelo reconhecimento no percurso emancipatório. Imprensa é “cão de guarda da democracia”, e apesar de necessitar ser fiscalizada, não pode perder seu princípio fundamental de liberdade

Por: João Vitor dos Santos | Edição: Márcia Junges

“Não alcançaremos amadurecimento democrático e verdadeiramente republicano, sem uma profunda transformação institucional do campo da política e sem introduzir no sistema democrático, como impõe a Constituição, formas claras e legítimas de controle social dos meios de comunicação, para garantir pluralidade e acesso pleno à informação”, pontua José Geraldo de Sousa Junior em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Para ele, “os meios de comunicação, principalmente os abertos — rádio e TV — mas também os jornais, são indispensáveis para informar e contribuir para a formação de opinião. Por isso que, mesmo em sociedades de livre iniciativa, nas quais todo valor acaba sendo o de troca, eles são fundamentais e até os que acabam se tornando alvos selecionados de sua atenção, nem sempre isenta, reconhecem a sua importância.”leia mais   clique aqui

“É claro que vivemos uma grande crise, mas ela não é maior do ponto de vista econômico do que outras que já vivemos recentemente. Mas ela é incrementada, do ponto de vista político, não como uma forma de construir possibilidades superadoras sob esse aspecto, mas de organizar as forças interessadas na melhor posição que vão ter do ponto de vista da hegemonia de suas propostas e projetos”, constata o ex-reitor da UnB.

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Foto: blogs.diariodepernambuco.com.br

O uso do termo “judicialização da política”, que tem ganhado ainda mais destaque nas últimas semanas, é um “fenômeno” que “está associado a uma forma de realização do ordenamento jurídico, que tem a ver com o protagonismo do judiciário quando se trata de atualizar o sentido previsto na legislação, para que ela não se torne uma promessa vazia do legislador em relação às expectativas sociais”, esclarece José Geraldo de Sousa Júnior à IHU On-Line, em entrevista concedida por telefone na última quarta-feira (16-03-2016).leia mais   clique aqui

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Esse será o tema da próxima Conversa de Justiça e Paz, promovida pela Comissão Justiça e Paz de Brasília, no dia 4 de abril, das 19.00 às 21.00 horas, no Auditório Dom José Freire Falcão, da Cúria Metropolitana, (Anexo da Catedral).

A convidada, já confirmada, é a Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal que, a partir de setembro assume a sua Presidência e também a presidência do Conselho Nacional de Justiça, órgão estratégico para estabelecer políticas judiciárias na questão penitenciária.leia mais   clique aqui

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"Marxista", "comunista" e "pauperista": as palavras de Francisco sobre a pobreza e sobre a justiça social, os seus frequentes apelos à atenção em relação aos necessitados, lhe atraíram críticas e até mesmo acusações, às vezes expressadas com dureza e sarcasmo. Como o Papa Bergoglio vive tudo isso? Por que o tema da pobreza esteve tão presente no seu magistério?

Santidade, o capitalismo, como o estamos vivendo nas últimas décadas, é, na sua opinião, um sistema de algum modo irreversível?leia mais   clique aqui